Nelson Mandela, 75 anos, prisioneiro político por 27 anos e um ex-radical, tornou-se ontem o virtual presidente eleito da África do Sul e imediatamente acentuou ainda mais o discurso moderado que já adotara durante a campanha. Jamais obteremos o apoio do empresariado se tivermos políticas radicais, disse Mandela, ao saber que o partido Congresso Nacional Africano estava praticamente confirmado como o grupo majoritário nas eleições da semana passada. Mandela teve ainda o cuidado de recordar que o programa do CNA não faz uma única referência às nacionalizações e não tem "um único slogan que nos conecte com qualquer ideologia marxista". Mais ainda: Mandela anunciou que recomendará a manutenção do atual presidente do Banco Central sul-africano, Chris Stals, adepto de políticas orçamentárias equilibradas. Negou ainda que pretenda aumentar os impostos, especialmente sobre a minoritária população branca. Pelos resultados oficiais divulgados ontem, o CNA obteve a maioria absoluta dos votos (53,3%), mas ficou aquém dos 67% que lhe permitiriam elaborar uma nova Constituição sem precisar do apoio de outros partidos. O quórum mínimo para a nova Carta é de 2/3 (268) dos 400 integrantes da Assembléia Nacional que, dia seis, elege o presidente. A posse está prevista para o dia 10 (FSP).