O Comando Vermelho e o Terceiro Comando, principais facções do crime organizado no Rio de Janeiro (RJ), viraram uma espécie de exército adolescente. A maioria dos líderes do tráfico de tóxicos ainda está na adolescência ou saiu dela há pouco. Segundo o delegado-titular da Divisão de Entorpecentes da Polícia Federal do Rio, Ramon Afonso Neto, uma pessoa de 25 anos já é considerada velha no tráfico. As organizações são formadas por garotos que se envolvem com o crime entre sete e 12 anos de idade e que, na maioria das vezes, terminam a carreira mortos, ainda na adolescência. Segundo o juiz de menores Ciro Darlan, o tempo de trabalho deles é curto porque a maioria é assassinada antes de atingir a maioridade. Poucos são presos. Segundo o juiz, só 10% dos casos de menores infratores atendidos pelo juizado estão ligados ao tráfico. Por outro lado, só no ano passado, 656 crianças de zero a 17 anos foram assassinadas no Rio. Três por cento delas, com certeza, ligadas ao tráfico; 75% não tiveram a ocupação identificada. Para o juiz, o número de garotos relacionados com o tráfico que passam pelo juizado é pequeno porque eles não saem do morro. "O que acontece lá dificilmente chega ao juizado", diz. Os garotos que não morrem podem subir de posto, e até chegar a "dono de morro" um dia. Fazer "carreira" no tráfico não é fácil. Para um avião (garoto que vende drogas) virar gerente de boca (cargo mais alto abaixo do dono do morro), ele tem que provar fidelidade e inspirar confiança-- normas básicas do crime organizado. O Comando Vermelho e o Terceiro Comando são as principais facções do crime organizado no Rio. Seus líderes controlam o tráfico de dentro da cadeia. O "CV" surgiu no presídio da Ilha Grande, com o nome de Falange Vermelha. O "TC" é uma dissidência da Falange Vermelha e da Falange Jacaré, no presídio Lemos de Britto. Ambos têm granadas e metralhadoras possantes. A polícia não sabe quantas pessoas integram os grupos. Eles são "donos" de morros no Rio. As guerras entre eles acontecem quando um comando tenta "tomar" o ponto do outro através de invasões. Os comandos não agem só no tráfico, mas também em grandes assaltos (Folhateen-FSP).