VOLUNTÁRIOS BAIXAM MORTALIDADE INFANTIL

Milhares de donas de casa, enfermeiras, faxineiras, vendedores e outros profissionais anônimos e muitas vezes analfabetos estão conseguindo derrotar, com um trabalho sério, persistente e silencioso, uma das principais marcas de vergonha nacional: os altos índices de mortalidade infantil. Eles engrossam um verdadeiro exército formado pela Pastoral da Criança para combater o problema e, a despeito da crise, estão mostrando que é possível salvar da morte pelo menos a metade das crianças condenadas pela fome e miséria. Mais de 60 mil voluntários da pastoral estão trabalhando em 1.966 cidades brasileiras. O trabalho junto às comunidades carentes se baseia em ações simples e diretas: acompanhar a vida da criança desde o útero da mãe e intervir quando algum sinal de doença ou desnutrição se manifesta. A intervenção começa cedo, com a orientação à mãe sobre a importância da amamentação, como aproveitar sobras de comida e o preparo do soro caseiro. Com essas poucas medidas básicas, os voluntários da Pastoral da Criança têm obtido resultados bastante positivos. Nas cidades atendidas pelo projeto, o número de óbitos entre crianças de até um ano caiu de 120 por mil para cerca de 30 por mil. Tais resultados estão sendo alcançados a um custo de apenas US$0,50 por mês por cada criança atendida. De 1988-- quando os dados do projeto começaram a ser computados-- até hoje, mais de 30 milhões de crianças já foram acompanhadas pelo programa. Boa parte do dinheiro é fornecido pelo governo federal. "Mas a nossa força está no contato direto com a comunidade e no aprendizado que damos às mães. No fim, elas mesmas acabam repassando as informações, ajudando a formar uma cadeia de saúde e solidariedade", explica Nelson Arns Neumann, coordenador-nacional-adjunto do programa (O Globo).