A Agência de Combate aos Entorpecentes (DEA) dos EUA, auxiliada pela Polícia Federal do Brasil, pela polícia de Nova Iorque e pela Pan Am, desmantelou uma rede de tráfico de cocaína formada por funcionários brasileiros e norte-americanos da empresa aérea Pan Americana (Pan Am). Todo mês a quadrilha levava 100 quilos da droga de São Paulo para Nova Iorque. Em cinco ano de operação, transportaram cinco toneladas de cocaína-- um total de US$1,5 bilhão. O chefe do grupo era o holandês naturalizado norte-americano, Aart Vanwort, preso semana passada em Nova Iorque. Os brasileiros envolvidos são Temístocles Moura Torre (ex-chefe de segurança da Pan Am no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro), Henrique Rajs, Daniel Dimenstein-Kramer, Cláudio Petenucci, Sérgio Stifel de Castro, Eduardo Varitzo e Walter Cabral. A cocaína saía de laboratórios nos arredores de São Paulo. Torres embarcava a droga no Rio de Janeiro, depois de driblar a vigilância dos agentes da Alfândega. No aeroporto John Kennedy, em Nova Iorque, a mala era colocada numa esteira só utilizada por pessoas de confiança das empresas aéreas e recolhida por auxiliares de Vanwort, sem inspeção. A quadrilha foi formada em 1980 quando Aart Vanwort, então agente de passageiros da Pan Am, recrutou colegas da empresa, tanto no Rio de Janeiro quanto em Nova Iorque, para contrabandear cocaína. Vanwort aposentou-se em 1984, foi morar na Holanda, mas continuou a chefiar a quadrilha junto a seu irmão, Christianus Vanwort. Ao serem presos, eles tinham quase US$1 milhão em dinheiro em suas malas e em cofres de bancos de Nova Iorque. Os traficantes poderão ser condenados a até 20 anos de prisão e a pagar multas de até US$250 mil, informou a Polícia Federal (JB).