RECESSÃO ALTERA RELAÇÕES TRABALHISTAS

Pressionados pela crise econômica e por uma recessão que já produziu cerca de 2,5 milhões de desempregados, os trabalhadores brasileiros estão mudando de comportamento. Com medo do desemprego, reduziram as greves e estão trocando aumentos de salários por estabilidade no emprego. Fora isso, admitem que, hoje, além de reivindicar melhores salários e condições de trabalho, precisam se organizar para enfrentar novos desafios nas relações trabalhistas. Neste 1o. de Maio, quando trabalhadores de todo o mundo comemoram o Dia do Trabalho, os brasileiros lutam para reduzir o drama dos quase 2,5 milhões de desempregados e de outros 12 milhões de subempregados que ganham menos de um salário-mínimo-- no mundo, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), há cerca de 800 milhões de desempregados. Parece haver consenso de que somente a retomada do desenvolvimento reverterá esse quadro. Enquanto isso não acontece, a campanha Ação da Cidadania Contra a Miséria e Pela Vida, criada pelo sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, que já tem mais de 3,5 mil comitês em todo o país, continua crescendo em sua segunda fase: a geração de emprego. Ela já inclui até bancos, como o Banco do Nordeste, que financia 52 projetos geradores de emprego para pequenas comunidades. Betinho está tentando, agora, obter do governo federal a redução da carga de impostos sobre a folha de pagamento das empresas. O movimento está propondo ao governo uma redução inteligente, ou seja, o recolhimento do imposto proporcional ao tamanho da empresa. A proposta ainda não está inteiramente definida nem foi discutida em conjunto com o governo, trabalhadores e empresários, mas já foi levada, no último dia 27, ao ministro da Fazenda, Rubens Ricúpero, por Betinho. A Central Única dos Trabalhadores (CUT) decidiu colocar a questão do emprego como prioridade para o movimento sindical este ano, diz o diretor executivo Delúbio Soares de Castro. A central propõe que parte dos recursos hoje usados no pagamento dos juros da dívida externa sejam investidos em projetos geradores de emprego. "Já falamos com o Betinho e ele se dispôs a ir ao Congresso da CUT, este mês, para discutir formas de entrar nessa campanha", disse Delúbio (JC) (FSP).