O ex-policial militar José Ubiratan Matos Ubirajara, foi condenado, no final da noite de ontem, por unanimidade, a 50 anos de prisão pelo assassinato dos irmãos José e Paulo Canuto, e pela tentativa de homicídio de Orlando Canuto. A sentença foi recebida com gritos, aplausos, risos e lágrimas, por todos os que assistiram ao julgamento no Tribunal de Justiça de Belém (PA). O réu foi recolhido à penitenciária, mas seus advogados informaram que vão recorrer da sentença. O julgamento foi realizado em clima de paz, contrastando com os conflitos que nos últimos 10 anos mataram 195 trabalhadores rurais no sul do Pará. O ex-PM foi o único dos envolvidos no "caso irmãos Canuto" a se sentar no banco dos réus. A PM do Pará, acusada de omissão ou participação direta em crimes, garantiu a realização do julgamento com forte aparato. Principal testemunha de acusação, Orlando Canuto, único sobrevivente do atentado que matou seus irmãos, reafirmou a participação do ex-PM no crime. Pesa também sobre o ex-PM o depoimento prestado à polícia do pistoleiro Marivaldo Ribeiro da Silva, o "Pássaro Preto", hoje desaparecido. No depoimento, lembrado pelo ex-vice-prefeito de São Paulo (SP) Luís Eduardo Grenhalgh, que atuou como assistente de acusação, o pistoleiro confessou várias mortes, mas negou sua participação no crime dos irmãos Canuto. "Pássaro Preto" acusou diretamente Ubirajara. Ao final do julgamento, a mão dos irmãos Canuto, dona Geraldina, viúva do líder rural João Canuto, morto em 1985, disse que continuava firme na luta. "Essa não é uma luta da família Canuto, mas de todas as pessoas que acreditam em um Brasil melhor, numa sociedade mais justa", dasabafou Orlando (O Globo) (JB).