BRASIL GASTOU US$2,4 BILHÕES EM GARANTIAS

O Brasil gastou cerca de US$2,4 bilhões na compra dos títulos dados em garantia ao acordo da dívida externa efetivado no último dia 15 com os bancos privados estrangeiros, confirmou ontem o presidente do Banco Central, Pedro Malan. Segundo ele, foram adquiridos títulos do Tesouro dos EUA como garantia do principal da dívida. O preço unitário médio dos papéis, que vão vencer nos anos 2021 e 2022, foi de US$0,153 por dólar. Não foi informado o custo efetivo das operações. Malan explicou à Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Federal que os títulos foram adquiridos no mercado secundário internacional, uma vez que o Tesouro norte-americano não aceitou fazer uma emissão especial para o Brasil enquanto o país não tivesse, pelo menos, um acordo de curto prazo com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Como a compra de tal volume de títulos poderia causar grande especulação, com perdas para o Brasil, o BC adquiriu os papéis aos poucos, em operações sigilosas, realizadas entre dezembro do ano passado e março deste ano. Malan garantiu que o Brasil não foi onerado com o pagamento de taxas e comissões. Além dos US$2,4 bilhões de garantia para o principal, o Brasil aportou US$373 milhões para dar como garantia de juros. Este valor foi colocado em aplicações que vão render juros semestrais ao país. O presidente do BC informou aos senadores que o Brasil vai iniciar uma administração mais eficiente das suas reservas cambiais. Com exceção do senador Eduardo Suplicy (PT-SP), os membros da comissão presentes mostraram satisfação com os termos do acordo (O ESP).