O deputado Ricardo Fiúza (PFL-PE) foi inocentado ontem pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados no processo de cassação movido a pedido da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Orçamento. Foram 30 votos a favor da absolvição, 22 contra e duas abstenções. A votação foi secreta. A decisão da comissão ainda será submetida ao plenário da Câmara, em data a ser marcada. O deputado Hélio Bicudo (PT-SP), relator do processo, denunciou a existência de um acordo entre o PMDB, PFL e PPR para inocentar o deputado Ricardo Fiúza. Além de Fiúza, o acordo teria o objetivo de beneficiar o deputado Ibsen Pinheiro (PMDB-RS), também com o pedido de cassação feito pela CPI do Orçamento. "Só os peixes pequenos são punidos. Nossa cultura é essa. Para os grandes, a impunidade", afirmou Bicudo. Fiúza e Ibsen são as principais lideranças políticas entre os 18 parlamentares acusados pela CPI. Além do peso político, os dois processos têm pontos semelhantes. Eles não são acusados de usar dinheiro de subvenções sociais, uma das denúncias que levou ao pedido de cassação da maior parte dos envolvidos com a máfia do Orçamento. Mas são acusados de omissão quanto às irregularidades na Comissão de Orçamento. Ricardo Fiúza era um parlamentar influente no Congresso Nacional até ser envolvido pelo escândalo do Orçamento. Está no sexto mandato. Empresário rural e advogado, entrou na política pelas mãos da antiga Arena. Foi um dos principais líderes do "Centrão" na Constituinte de 1987/88. Ministro da Ação Social no final do governo Collor, manteve-se fiel ao ex- presidente até o fim do processo de Impeachment". Em 1991, como relator do Orçamento Geral da União de 1992, Fiúza incluiu ou alterou 398 emendas, no valor total de US$204,8 milhões, depois que o pacote já tinha sido aprovado pelo plenário. Ele é acusado de tolerar e auxiliar a ação do esquema de corrupção na Comissão Mista de Orçamento e, mais tarde, no Ministério da Ação Social. Como ministro, liberou subvenções sociais para entidades inadimplentes ou que aplicaram o dinheiro de maneira irregular. Conseguiu também, em 1990, empréstimo de US$1 milhão da Caixa Econômica Federal (CEF) para uma empresa de sua família, a Companhia Agroindustrial Jaçanã. Ricardo Fiúza deixou a sessão da CCJ sob aplausos dos parlamentares mas encontrou, nos corredores, manifestantes que, revoltados com a absolvição, exibiam pizzas e cartazes. Houve tumulto. Ricardo, filho do deputado, avançou aos tapas contra o grupo, ajudado por um cunhado (O ESP) (FSP) (JB).