A AIDS está atingindo mais os países em desenvolvimento e vem somando aumentos permanentes da taxa de mortalidade infantil, além de vir reduzindo, significativamente, a perspectiva de vida nestes países. Isto é o que aponta o estudo do Departamento de Comércio dos EUA "Retrato da população mundial", divulgado ontem. Segundo o documento, o número de crianças contaminadas pelo HIV ainda no período de gestação e que morreram nos primeiros anos de vida nos países do Terceiro Mundo, principalmente da região subsahariana, como Zâmbia, vem atingindo índices preocupantes. Cerca de 15% das crianças nascidas nesses países morreram de doenças provocadas pela síndrome. Nos 13 países da região subsahariana, as mortes de crianças entre um e 10 anos poderão superar os 30% até o ano 2010, diz o estudo. Segundo o documento, o Brasil é um dos três países fora da África em que as taxas de mortalidade infantil vão crescer mais até o ano 2010 por causa da AIDS. Os outros dois são Haiti e Tailândia. O Brasil é o segundo país do hemisfério ocidental em número de casos de AIDS registrados, logo abaixo dos EUA e acima do México. O trabalho, sobre a demografia mundial, preparado a cada dois anos pelo Departamento de Comércio dos EUA, pela primeira vez dedicou um capítulo especial ao impacto da AIDS sobre a população do planeta. "O efeito cumulativo da epidemia da AIDS sobre as condições de vida mundiais será assustador", afirma o relatório. "Os programas de saúde de governos já pobres serão incapazes de lidar com o enorme número de pessoas com AIDS nos próximos anos", diz o estudo (JC) (FSP).