O Brasil tem 39,2 milhões de pobres, dos quais 21,7 milhões (ou 55%) concentram-se no Nordeste. Nas três regiões metropolitanas do Sudeste (São Paulo-SP, Rio de Janeiro-RJ e Belo Horizonte-MG), há 3,1 milhões de pobres, ou 8% do total. Esses dados constam de pesquisa apresentada ontem no 6o. Fórum Nacional, que se realiza no Rio de Janeiro (capital), pelo professor Roberto Cavalcanti de Albuquerque, do Instituto Nacional de Altos Estudos (Inae). A pesquisa, como observou o cientista político Sérgio Abranches, elimina algumas idéias antigas, como a de que a pobreza é fenômeno das grandes metrópoles e eliminaria, especialmente, a idéia de que o Brasil está sendo engolfado pela pobreza. Na verdade, se o problema da pobreza atinge 27% da população, diz o estudo, então é um problema solucionável. O estudo considera pobre a pessoa que vive em família com renda per capita abaixo de US$35 mensais (dólares de 1990). A pesquisa deixou claro que há diferentes tipos de pobreza, exigindo-se políticas diferentes para combatê-la. A retomada do crescimento econômico, por exemplo, reduzirá fortemente a pobreza no Sudeste. Mas terá efeito menor no Nordeste e nenhum benefício para os pobres do Nordeste rural. Na região metropolitana está o que o cientista chamou de "pobreza conjuntural"-- as pessoas que perderam emprego e renda na crise dos anos 80. Segundo o professor Albuquerque, um crescimento de 0,7% na renda do Sudeste é suficiente para acabar com a pobreza crítica. No Nordeste rural, a rende precisaria crescer improváveis 34% para a melhoria chegar até os pobres. Ou seja, no Sudeste, é preciso desenvolvimento e educação dos trabalhadores. No Nordeste, é assistência social do Estado. E o Estado tem de atender só essa gente, observa Abranches. "É preciso assumir que a classe média pode e deve pagar pelos serviços", concluiu o cientista político. O coordenador do 6o. Fórum Nacional, ex-ministro João Paulo dos Reis Velloso, apresentou uma proposta de revisão do modelo de desenvolvimento do Brasil, juntando experiências dos últimos 30 anos. O objetivo, segundo ele, é casar crescimento, democracia e distribuição de renda-- o que caracteriza um país moderno. Velloso disse que a base de tudo é a estabilidade econômica, permitindo a retomada do crescimento. Mas a partir daí, será preciso acrescentar um complemento social. Esse complemento, segundo ele, pode-se fazer com três políticas básicas: 1) investimento maciço em capital humano, 2) um novo modelo de pequena empresa e 3) modelos integrados para eliminar a economia de subsistência (FSP).