O vice-presidente do Banco Mundial (BIRD) para a América Latina e Caribe, Norman L. Hicks, defendeu ontem, no Rio de Janeiro (capital), durante o 6o. Fórum Nacional, a adoção de "redes de segurança social" para proteger as populações mais prejudicadas pelos programas de ajuste econômico na região, como os desempregados, mulheres e crianças, evitando assim um aumento da pobreza. Ele é favorável ao crescimento econômico para melhorar as condições sociais dos países em desenvolvimento e sugeriu programas de ajuste capazes de retomar o crescimento sustentado, gerar empregos e distribuir seus benefícios por toda a sociedade. Neste ano, o BIRD está destinando 35% de seus recursos para projetos sociais de combate à pobreza e de desenvolvimento humano e espera aumentar para 38% a parcela de seu orçamento, entre 1995/97, para estes fins. O assessor da vice-presidência do BIRD, Antônio Pimenta, informou que o banco destinará neste ano US$1 bilhão para o Brasil, ante US$800 milhões em 1993, priorizando infra-estrutura, saúde, educação e meio ambiente. Pimenta denunciou que existem recursos de US$5 bilhões referentes a programas já aprovados pelo BIRD para o Brasil que ainda não foram repassados aos seus tomadores por problemas de contrapartida, mudanças administrativas e incapacidade técnica. O vice-presidente do BIRD demonstrou preocupação com dados levantados pelo banco sobre a América Latina e o Caribe, que informam um aumento da pobreza na região, entre 1980 e 1990, apesar da melhoria dos indicadores sociais. Mesmo com a melhor renda per capita do Terceiro Mundo-- de US$2.675,00 na média--, a percentagem de pessoas vivendo na pobreza absoluta (abaixo de meio salário-mínimo) na América Latina e Caribe pulou de 26,5% para 31,5% entre 1980/1989 e a distribuição de renda dos 20% mais pobres da população caiu para 4% da renda nacional, ante 4,6% em 1980. O representante do BIRD ressaltou que, nesse quadro, o Brasil e a Guatemala apresentam a pior distribuição de renda do continente: os 20% mais pobres desses países detêm apenas 2% da renda nacional. Os indicadores sociais da região registraram melhoria entre 80/90, de forma "paradoxal", segundo Hicks. A taxa de mortalidade infantil caiu para 44 crianças por mil nascidas ante 63 em 1980 e a expectativa de vida subiu para 67 anos, ante 64 anos. A taxa de analfabetismo encolheu para 16% ante 23%, e a entrada de crianças no primário subiu para 87% ante 82% em 1980 e a disponibilidade de um médico por habitante, passou de 1 para 2.020, para 1 para 1.180. O vice-presidente do Banco Mundial defendeu investimentos para aumentar a produtividade e qualificação dos pobres, crédito para os pequenos produtores rurais e suporte técnico para treinamento de mão-de-obra. Para o BIRD, as condições macroeconômicas de um crescimento voltado para os ricos geram um aumento constante das disparidades de renda (GM).