PERSONALIDADES VÃO DEFENDER "DESAPARECIDOS"

A Seção Brasileira da Anistia Internacional lançou ontem na Universidade de São Paulo (USP) a "Campanha Contra "Desaparecidos" e Execuções Extra- Judiciais" ocorridos em vários países. Durante os próximos 40 dias, a campanha tentará chamar a atenção para o perfil humano, a história pessoal e a individualidade de cada uma das vítimas. Essas costumam aparecer em listas apenas com seu nome sob a rubrica "desaparecido". Trata-se de "pessoalizar o sofrimento, mostrar que as pessoas que foram torturadas e mortas ou estão sumidas têm história, amigos, parentes, carne e osso", explica Carlos Alberto Idoeta, presidente da Seção Brasileira da Anistia Internacional. Para alcançar seu objetivo, o movimento destacou seis casos de "desaparecidos" em diferentes países e escolheu para cada um deles um ou dois representantes entre personalidades brasileiras, que estão sendo chamados de "embaixadores da esperança". Os embaixadores devem nos próximos 40 dias, através de entrevistas, relatos e artigos na imprensa, apresentar quem são as vítimas que representam, quais violações sofreram, quem são os responsáveis por elas e como agiram ou deixaram de agir os governos de seus respectivos países. Os seis casos de "desaparecidos" são: José Del Carmen Alvarez Blanco-- trabalhador rural colombiano desaparecido numa noite de domingo, em janeiro de 1990, quando tinha 45 anos. Representantes: Ives Gandra da Silva Martins (advogado) e Abram Szajman (empresário); Sinisa Glavasevic-- jornalista iugoslavo, desapareceu aos 33 anos, em 19/11/91, um dia depois que a cidade Croata de Vokovar rendeu-se ao Exército Nacional Iugoslavo (INA). Representante: Boris Casoy (jornalista); Marta Crisstomo García-- enfermeira peruana, desapareceu aos 22 anos em 08/09/88. Era testemunha do massacre de Cayara, de maio de 88, quando 30 índios foram mortos por militares. Representante: Lygia Fagundes Telles (escritora); harjit Singh-- trabalhador do setor elétrico em Punjab, na Índia, desapareceu em 29/04/92, após ser detido por policiais num ponto de ônibus, quando tinha 22 anos. Representantes: Luís Paulo Baravelli (artista plástico) e Henry Sobel (presidente do Rabinato da Congregação Israelita Paulista); Mara Rumalda Carmey-- foi arrastada por homens armados de sua casa na Guatemala, em 15/08/89, quanto tinha 33 anos. Era membro do GAM (Grupo de Apoio Mútuo pelo Aparecimento de Nossos Parentes com Vida). Representantes: Tomie Ohtake (artista plástica) e Fábio Magalhães (ex-conservador-chefe do Museu de Arte de São Paulo-MASP); e Jabbar Rashid Shifki-- detido pelo Exército iraquiano em 1983, quando tinha 15 anos. Continua desaparecido, assim como oito mil curdos detidos na mesma época. Representante: Paulo Sérgio Pinheiro (cientista político). Durante o lançamento da campanha foram também lembrados casos recentes de execuções extra-judiciais ocorridas no Brasil. Entre eles os 111 presos mortos pela polícia de São Paulo durante o massacre do Carandiru, em 02/10/92; os oito meninos mortos na Candelária, no Rio de Janeiro, em 23/07/93; e os 21 moradores de Vigário Geral, também no Rio, assassinados em 29/10/93 (FSP).