Os números dos últimos três anos comprovam: a terra valorizou mais que o boi, quebrando uma tradição de várias décadas, principalmente nos Estados de Mato Grosso, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Bahia, onde as áreas de pastagens passaram a competir com as lavouras de soja. Em Andradina (SP), o advogado Mário Celso Lopes, tornou-se um dos maiores comerciantes de terras do país. Segundo ele, na década de 80, com apenas oito arrobas era possível comprar um hectare de cerrado bruto, ou seja, já pronto para ser desmatado. Hoje, são necessárias pelo menos 25 arrobas para se comprar a mesma área. Essa valorização está aquecendo os negócios e provocando principalmente a divisão de grandes fazendas. Nas regiões onde a soja é a moeda corrente, a terra também valorizou mais que o produto agrícola. Na região de Lucas do Rio Verde (MT), um hectare de cerrado bruto chegou a ser oferecido de graça ao governo há 20 anos. Em 10 anos de exploração, muita gente vendeu a área ainda coberta de mata pela equivalência de cinco sacas de soja por hectare. Hoje, os negócios estão sendo fechados por 20 ou 30 sacas de soja para terra bruta e até 100 sacas por hectare para fazendas abertas, onde já é possível desenvolver agricultura (JC).