Cerca de 800 trabalhadores sem-terra participaram ontem, no Congresso Nacional, em Brasília (DF), do lançamento do programa Grito da Terra Brasil, que será iniciado oficialmente em todo o país no dia nove de maio. Dossiê preparado pelos sem-terra, baseado em dados oficiais, mostra que dos 38 milhões de moradores em áreas rurais, 73% ganham menos de um salário-mínimo (linha de pobreza), o que os impossibilita de se alimentar. Isso mostra, conforme o documento, que 14% das crianças do campo com até cinco anos de idade representam um quadro de total desnutrição. Segundo o dossiê, há 2.174 propriedades rurais com mais de 10 mil hectares em cada (cerca de 56,2 milhões de hectares), com uma concentração de 31,2 mil pessoas, enquanto que outras 3.085.841 áreas rurais, com menos de 10 hectares cada (mais de 10,1 milhões de hectares) a ocupação é de mais de nove milhões de pessoas. O programa Grito da Terra Brasil apresentou a pauta de reivindicação dos trabalhadores rurais sem-terra e dos índios, como a reforma agrária, uma nova política agrícola, passando pelos direitos sociais e para os setores energéticos e meio ambiente. O documento aponta que os trabalhadores rurais produzem 81,4% do feijão consumido pelo povo brasileiro; 82,5% do arroz; 79,9% do milho e 88,9% da mandioca. O dossiê denuncia que de 1964 a 1993 foram registrados 1.744 assassinatos de trabalhadores no campo. Não é possível ao Estado brasileiro manter-se inerte e ausente diante
79646 da importância social, política e econômica de uma parcela que vive e
79646 trabalha no campo, diz o dossiê, que aponta a ""política energética do governo federal como desastre sócio-ambiental". Para exemplificar, são citados as construções das usinas de Balbina, Itaipu, Itaparica e Sobradinho (JC).