O governo investirá este ano US$1,385 bilhão no programa de combate à fome e à miséria. A informação foi prestada, ontem, pelo presidente Itamar Franco, em pronunciamento que fez durante encontro com membros do Conselho Nacional de Segurança Alimentar (CONSEA), no Palácio do Planalto. Segundo o presidente, os recursos já estão previstos no Orçamento Geral da União para este ano e, além deles, o governo planeja investir mais US$300 milhões. Com o pronunciamento, o presidente rebateu críticas sobre a atuação do governo no programa de combate à fome feitas pelo articulador nacional da campanha Ação da Cidadania Contra a Miséria e Pela Vida, sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, e pelo presidente do CONSEA, dom Mauro Morelli, que reclamaram falta de empenho na campanha contra a fome. Estamos abertos às críticas honestas, não às críticas maliciosas que
79644 visam ao problema ideológico ou partidário, afirmou o presidente. Itamar Franco disse, ainda, que o Executivo investiu, no ano passado, US$1,1 bilhão no programa. E lembrou que, para conseguir o dinheiro, o governo foi obrigado a fazer cortes no orçamento de diversos setores, inclusive no funcionalismo público. No balanço que fez sobre a atuação do governo no combate à fome e à miséria, o presidente informou que, desde o lançamento do programa, em maio do ano passado, cinco projetos já foram implantados. São eles os programas Leite é Saúde, de descentralização da merenda escolar, de alimentação do trabalhador, de Distribuição Emergencial de Alimentos no Nordeste (Prodea) e de assentamentos rurais. O presidente anunciou também que o governo estuda a criação do Programa de Renda Mínima nas frentes de trabalho do Nordeste. Pelo programa, proposto pelo senador Eduardo Suplicy (PT-SP), os desempregados receberiam um salário-mínimo e os que recebem menos de dois salários teriam direito a uma complementação de renda. No pacote de sugestões apresentado pelo CONSEA ao presidente Itamar estão uma proposta de criação da "cesta da cidadania", a decretação de estado de emergência no setor social e o assentamento de 60 mil famílias até o fim do ano (JC) (O Globo).