O fato de o Brasil, o maior devedor mundial, ter fechado um acordo com os bancos credores do país sem ter antes um programa econômico devidamente aprovado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), como era a regra nos últimos 14 anos, acaba de precipitar um movimento inédito. Os próprios banqueiros internacionais, que antes faziam aquela exigência, estão dizendo agora que não precisam mais do Fundo como um policial. Eles querem que o organismo se transforme em conselheiro de investidores e passe a atrair capital para os países em desenvolvimento. "O FMI ainda está pondo muita ênfase em negociações de programas de ajuste, quando o seu papel hoje deve ser outro. O Fundo precisa reconhecer isso e se adaptar ao novo mundo. Seus técnicos devem se tornar conselheiros persuasivos sobre políticas econômicas. E, ao mesmo tempo, passar a catalizar financiamentos privados para os países em desenvolvimento", disse ontem, em Washington (EUA), Charles Dallara, diretor-gerente do Institute of International Finance Inc. (IIF), associação que reúne os 175 maiores bancos do mundo (O Globo).