O trabalhador que possui o vírus HIV só recebe amparo se estiver empregado em grandes empresas, que estão estruturadas para dar assistência aos doentes contaminados pela AIDS. As ações passam por campanhas internas de prevenção e palestras à importação de medicamentos e até o pagamento de despesas com tratamento do funcionário no exterior. Não há estatística oficial sobre o assunto no país, mas até por causa dos elevados custos do tratamento, as pequenas empresas não oferecem qualquer assistência aos funcionários doentes. Só as grandes. É o caso da Shell que, muito antes da AIDS adquirir as proporções de hoje, já tinha um plano de saúde que bancava esse custo. Na empresa, por exemplo, foram investidos US$75 mil nos últimos quatro anos com pacientes infectados. O custo da multinacional com cada um deles foi de US$10,7 mil. Nos EUA, o custo por trabahador, desde a hora em que o mal se manifesta até a sua morte, é de US$102 mil, segundo o médico Dráuzio Varella, membro da Sociedade Internacional de AIDS. No Banco do Brasil, como na Shell, o tema AIDS é uma preocupação desde 1988, de acordo com o médico Humberto Navarro, coordenador do Programa de AIDS do Centro de Assistência ao Pessoal no Rio de Janeiro. O BB, que identificou o primeiro caso de AIDS em 1984, tinha, até junho de 1993, 232 casos entre os seus quase 114 mil funcionários no país. Mais de 40 já morreram. Não há estatísticas sobre o número de soropositivos, embora Navarro informe que há mais de 150 no Rio. A instituição banca, numa parceria com a Caixa de Assistência dos Funcionários, todas as despesas com medicamentos (FSP).