Piorou a situação do emprego no mundo no período 1992/93. Embora se detecte alguns focos dinâmicos de criação de riqueza e trabalho, o desemprego continua a ser o grande desafio social e econômico nas regiões em desenvolvimento da Ásia, América Latina e África. No mundo desenvolvido, especialmente em nações integrantes da União Européia (UE), aumentou o grau de dificuldade de absorção dos novos contingentes de mão-de-obra. O chamado desemprego estrutural, criado por inovações tecnológicas ou reorganizações administrativas, também continua se alastrando tanto em economias desenvolvidas como em desenvolvimento. No relatório "O Trabalho no Mundo", divulgado ontem, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) avalia em 850 milhões o número de pessoas desempregadas no mundo. Para o futuro, as previsões da OIT também são pouco animadoras. Na avaliação dos técnicos da organização, o processo de globalização-- uma das principais tendências econômicas dos próximos anos-- terá um impacto negativo na absorção dos desempregados no mundo. O grau de recuperação econômica alcançado nos últimos anos na América Latina não foi suficiente para que melhorasse de forma perceptível o nível geral de emprego, apesar de o desemprego urbano ter diminuído em toda a região, segundo a OIT. A taxa média de crescimento do emprego na região foi de 3,2% em 1991/92, comparada com uma média anual de 3,4% entre 1985 e 1990. Em toda a América Latina, o nível de desemprego caiu de 7,9% em 1990 para 7,4% em 1992, assinala a Organização. A força de trabalho cresceu num índice superior a 3% anuais, enquanto os salários- mínimos reais diminuíram 14% na Argentina e 6% no Brasil entre 1991 e 1992 (O ESP).