O Brasil poderá começar a negociar acordos bilaterais para formar a Área de Livre Comércio Sul-Americana (Alcsa) sem a participação de seus sócios no MERCOSUL. Esses acordos entrariam em vigor a partir de janeiro de 1995 e em um prazo de 10 anos uma zona de livre comércio-- região na qual os produtos são intercambiados sem pagar impostos alfandegários-- estaria implantada. A informação foi dada ontem, em São Paulo, pelo embaixador Paulo Nogueira Batista, representante do Brasil na sede da Associação Latino-Americana de Integração (ALADI). "Vamos tentar negociar de maneira multilateral, mas se não for possível podemos iniciar com acordos bilaterais", disse. Ele deu um exemplo: "O interesse do Paraguai em fazer um acordo de livre comércio com o Equador é mínimo. Mas para o Brasil é interessante". Não haveria impedimento jurídico para isso, segundo esclareceu, pois o Tratado de Assunção, que criou o MERCOSUL, leva em conta a legislação da ALADI. Os acordos para estabelecer a Alcsa seriam feitos a partir da ampliação das preferências tarifárias negociadas na ALADI. Ou seja, os descontos nas tarifas alfandegárias atuais praticadas pelo Brasil em relação a seus parceiros na ALADI seriam ampliados até chegar a 100% em um prazo de 10 anos (GM).