PROSTITUIÇÃO INFANTIL EM FORTALEZA

Pesquisa feita pela Universidade Federal do Ceará em 1992 concluiu que cerca da metade das menores prostituídas de Fortaleza mora com a família. Segundo a coordenadora do Núcleo Cearense de Estudos e Pesquisas sobre a Criança (Nucepec), Ângela Pinheiro, na maioria dos casos os pais fazem vista grossa ou até estimulam a prostituição das filhas para aumentar o orçamento familiar. Segundo a pesquisa, feita com 84 meninas nos cinco principais pontos de prostituição em Fortaleza, 79,5% das menores se prostituem antes dos 15 anos. As menores de 11 anos representam 18,1% das entrevistadas. O Conselho Cearense de Direitos da Mulher calcula que há duas mil menores prostituídas em Fortaleza, a maioria entre 12 e 14 anos. A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara dos Vereadores sobre o caso descobriu prostitutas de apenas sete anos. E casos escabrosos de envolvimento de policiais no agenciamento das menores. "Policiais civis falsificam documentos para elas e os policiais militares as protegem dos clientes que não pagam. Em troca, recebem dinheiro ou sexo", denuncia o vereador Durval Ferraz, relator da CPI (JB).