As primeiras eleições gerais dos últimos 44 anos para a escolha, em conjunto, de presidente da República, um terço do Senado Federal, governadores de 27 estados, deputados federais e estaduais, em dois turnos, este ano, poderão entrar para a história consagrando a infidelidade partidária. A consequ"ência deve ser, segundo vários políticos, a imediata reforma partidária em 1995. A liberdade das alianças descaracterizará os partidos e o eleitor votará no candidato, enfraquecendo os partidos. Reunindo alianças contraditórias, até mesmo inconcebíveis, as eleições "casadas", convocadas para proporcionar ao futuro presidente maioria no Congresso Nacional, corre o risco de resultar num governo fraco. "Assim que chegarem ao poder, as brigas serão inevitáveis", prevê o deputado Paulo Delgado (PT-MG). Em vários estados o eleitor não entederá a lógica dos partidos. Orestes Quércia do PMDB e Esperidião Amin do PPR usarão o mesmo palanque de Jarbas Passarinho, no Pará. Leonel Brizola (PDT) e Quércia fazem parte da mesma coligação em Santa Catarina. No Distrito Federal, a coligação articulada pelo governador Joaquim Roriz reunirá Quércia, Amin, Brizola e Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Em três estados-- Mato Grosso, Ceará e Paraíba-- o candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, poderá passar pelo mesmo palanque de Quércia, Brizola e Fernando Henrique. No Rio de Janeiro, Quércia poderá subir no palanque de Brizola se a aliança entre o PDT e PMDB fora selada em nível nacional. Em São Paulo, se o PPR fechar com o PDT, Brizola e Paulo Maluf poderão se esbarrar nos mesmos comícios. Na Paraíba, Fernando Henrique terá que subir no palanque de Lúcia Braga, do PDT-PFL. O candidato que tem mais palanques disponíveis nos estados é Fernando Henrique. "Foi por esse motivo que ele fez a coligação com o PFL", comentou o deputado Maurílio Ferreira Lima (PSDB-PE). No Espírito Santo, em Minas Gerais e no Maranhão, o candidato poderá escolherr o palanque que desejar. Fernando Henrique só terá palanque exclusivo em São Paulo, Ceará e Rio de Janeiro, e pegará carona nos demais (JB).