O procurador regional eleitoral, Alcir Molina, disse ontem que o prefeito do Rio de Janeiro, César Maia (PMDB), pode ter sido o político mais beneficiado com os recursos do jogo-do-bicho: "A prova contra o prefeito é muito mais farta do que para os outros. Ele deve ter sido quem mais recebeu aportes para a campanha à prefeitura", assegurou. Molina destacou que Maia ofereceu contrapartida aos bicheiros, ao fazer sociedade com a Liga Independente das Escolas de Samba-- a qual chamou de "braço legal do bicho"-- e ao se deixar fotografar abraçado com "banqueiros" do bicho. Alcir Molina explicou que não cabe a ele representar contra o prefeito e os vereadores implicados. Ele pretende encaminhar os documentos de volta ao Ministério Público estadual para que o procurador-geral de Justiça, Antônio Carlos Biscaia, designe um promotor eleitoral para denunciá-lo. O julgamento do prefeito será feito pelo juiz eleitoral da Zona de Propaganda da Capital. Segundo Molina, o nome do governador do Rio de Janeiro, Nilo Batista (PDT), aparece várias vezes e registrado de diversas formas na lista do bicho. Mas há sobretudo um balancete, com o nome de Nilo Batista, com a soma de
79598 todos aqueles valores, o que me parece um indício de prova suficiente.
79598 Além disso, ele próprio admitiu ter recebido. O procurador ressalvou, porém, que Nilo pode provar que aquelas quantias foram destinadas a entidades filantrópicas, o que não caberia qualquer punição da Justiça Eleitoral. Na previsão do procurador, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) deverá julgar em 30 dias o pedido de cassação dos registros de candidatura dos políticos cujos nomes aparecem na lista de propinas do bicho (JB).