JULGAMENTO EM BELÉM DO ASSASSINO DOS IRMÃOS CANUTO

A família Canuto, de sindicalistas do Pará, quase foi dizimada por pistoleiros de aluguel. João, o patriarca, tocaiado a mando de fazendeiros em 1986, morreu aos 49 anos. José, que sucedeu o pai na presidência do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rio Maria, acabou executado em abril de 1990, aos 28 anos. Paulo, 19 anos, que estava junto, também morreu. Sobreviveu o irmão Orlando, hoje com 29 anos. O inquérito sobre a morte de João não foi concluído até hoje. Mas no próximo dia 28 será julgado em Belém o pistoleiro José Ubiratan Matos Ubirajara, único preso dos quatro assassinos de José e Paulo. "É um resultado mínimo, mas já é alguma coisa", resigna-se Orlando. Poderosos também são abatidos. O deputado Edmundo Galdino (PSDB-TO), relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pistolagem-- ele mesmo teve a coluna partida num atentado-- entregou há 10 dias à Polícia Federal nomes de 24 suspeitos na morte do senador Olavo Pires, metralhado em Rondônia em 1990. O assassinato originou a CPI, que apurou crimes de pistolagem no Centro-Oeste e Norte, especialmente no Bico do Papagaio, entre Maranhão, Pará e Tocantins. Foram 1.630 crimes, de 1964 a 1990. Vítimas: trabalhadores rurais, religiosos, advogados, índios. Contratar pistoleiro é fácil. A CPI identificou agências de matadores de aluguel como a de Imperatriz (MA), covil onde a inflação desorganizou as tabelas de preços da vida. Lá, a morte de um prefeito custa cerca de CR$30 milhões (JB).