Nada mudou no comércio de drogas no Rio de Janeiro (capital) desde o estouro da fortaleza do bicheiro Castor de Andrade, no dia 30 de março. A venda de maconha e cocaína continua a pleno vapor, apesar das declarações de promotores o Ministério Público de que os contraventores estão ligados ao tráfico. Na semana passada, um caminhão vindo da Bolívia para o Brasil garantiu pelos próximos 30 dias o abastecimento de cocaína em toda a zona sul e parte da zona norte. O veículo, transportando madeira de lei, trouxe 100 quilos da droga da região de Chapare, grande produtora da planta de coca. O responsável pelo carregamento, o traficante "João Matuto"-- líder do comércio de entorpecentes da favela da Rocinha-- manda um recado aos promotores: "Este negócio de Castor é tudo política, não vai dar em nada". Metade do carregamento que chegou à favela é suficiente para abastecer durante um mês a Rocinha. A outra metade é estocada ou revendida para traficantes ligados a "João Matuto". A droga, adquirida por US$1,5 mil, o quilo, na Bolívia, chega para o consumidor quase sete vezes mais cara-- é vendida em média a US$10 o grama. "Se existe ligação com os bicheiros, ela acontece no tráfico internacional e nada tem a ver com a gente", garante um traficante ligado a "Matuto" (JB).