ACIDENTE NO IPEN APONTA RISCO DA ENERGIA NUCLEAR

A falta de fiscalização nas instalações nucleares provocou mais um acidente com radiação, detectado, desta vez, em um dos laboratórios do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN), em São Paulo, um dos mais importantes da América Latina. Segundo a Associação dos Funcionários do IPEN (Assipen), 11 operadores do laboratório de produção de radioisótopos (elementos radioativos usados na medicina nuclear) se contaminaram com iodo-131 (elemento radioativo), há cerca de quatro anos, mas o problema só foi verificado há poucos dias, quando o grupo se submeteu a exames de saúde. Os exames mostraram que os operadores apresentavam uma série de disfunções hormonais e na tireóide. Os operadores foram afastados do trabalho há 20 dias, mas na semana passada, quando o fato começou a ser divulgado, eles foram acionados para retornar ao IPEN, onde estão executando tarefas que nada têm a ver com as suas especialidades, principalmente a química. As direções da Assipen e da Comissão Nacional dos Trabalhadores em Energia Nuclear (Contren) distribuíram notas exigindo explicações do IPEN e da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), responsável pelo instituto. O físico Luiz Pinguelli Rosa, da Comissão de Acompanhamento da Questão Nuclear da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), afirmou que "se confirmada a contaminação, as implicações podem ser graves". Ele condenou a posição da direção da CNEN em relação ao caso. "O que tenho lido mostra que as informações são conflitantes e contraditórias", comentou. Na semana passada, o presidente da Associação Brasileira de Energia Nuclear (ABEN), Rubens Maiorino, disse que os operadores ingeriram iodo convencional para se proteger de uma contaminação com iodo-131. Já a CNEN informa que está investigando o caso, não menciona a ingestão do iodo convencional, e descarta a possibilidade de o grupo ter sido contaminado com iodo radioativo (JC).