Um estudo elaborado pelo Ministério da Agricultura constatou que a iniciativa do goerno de importar alimentos para assegurar preços mais baixos ao consumidor está provocando desemprego no setor rural, em todo o país, onde cerca de 1,1 milhão de agricultores estão sem emprego. Segundo os dados levantados, a cada US$1 bilhão de alimentos que importa, o Brasil deixa de gerar 2,5 milhões de novos empregos. O mercado de trabalho na agricultura nacional "foi tomado por trabalhadores dos países desenvolvidos", lamenta o coordenador da Câmara Setorial do Trigo do Ministério da Agricultura, Renato Zandonadi, um dos responsáveis pela pesquisa, que condena o uso de produtos importados no suprimento do programa de cestas básicas. Ele adverte que é preciso rever, com urgência, alguns pontos da atual política de produção e abastecimento de produtos básicos, para preservar o mercado nacional contra práticas desleais do comércio agrícola internacional, como por exemplo, a venda de produtos com preços subsidiados nos países em que são produzidos. Dados oficiais revela que o volume produzido de milho, arroz, trigo e algodão é o mesmo que o país compra no mercado internacional. Apontam, também, que nas culturas de trigo e cevada, que utilizam mão-de-obra intensiva, a substituição da produção nacional pelo produto importado está deixando 400 mil trabalhadores sem emprego durante a safra de inverno, nos meses de março a setembro. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) citados por Zandonadi revelam que o setor primário emprega, hoje, 23% da mão-de- obra ativa do país, além de gerar uma produção de 11% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. O IBGE estima que, por unidade de valor de produção obtida, o setor primário gera, em média, 2,4 vezes mais empregos do que os setores industrial e de serviços. Segundo essas estimativas, este ano as importações de grãos vão superar a casa de 10 milhões de toneladas, elevando o desemprego no setor rural. Para superar esses problémas, gerando emprego e renda, técnicos do Ministério da Agricultura sugerem a adoção de uma política baseada na liberdade de mercado, em que se cortem os subsídios concedidos pelos países exportadores de grãos aos preços desses produtos. Segundo eles, para aumentar a produção de alimentos não são necessários investimentos. Bastaria aproveitar a capacidade ociosa do setor produtivo, para gerar cerca de três milhões de empregos (JC).