As cidades paulistas cujas economias são baseadas exclusivamente na agricultura registram o maior número de miseráveis em sua população, superando uma faixa de 25%. Essa foi a conclusão de um estudo elaborado por pesquisadores da Coordenadoria de Abastecimento e do Instituto de Economia Agrícola (IEA), ligados à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, divulgado ontem. A pesquisa revelou ainda que a pobreza está muito ligada aos municípios onde não se desenvolve nenhum tipo de atividade da agroindústria. A região metropolitana de São Paulo, sozinha, agrupo 50% da população do estado inteiro. Desse total, 39,4% representam famílias de indigentes, de acordo com os dados da pesquisa. No entanto, proporcionalmente, existem regiões que agrupam números mais assustadores. Um exemplo disso é a região de Registro, produtora de banana, chá e plantas ornamentais e criação de búfalos, onde 23% dos municípios vizinhos têm em sua população uma faixa de 25% de miseráveis. A região de Sorocaba (que concentra 36,8% da área plantada com arroz, feijão e mandioca e 42,8% da área de horticultura do estado) é, segundo o estudo, um dos melhores exemplos de que mesmo onde se produz alimento básico a fome não é menor. "Cerca de 31,4% dos municípios da região de Sorocaba concentram entre a população uma faixa entre 20% e 25% de indigentes, o que indica que a melhor alimentação está ligada à renda urbana", afirma o engenheiro agrônomo e pesquisador da Coordenadoria de Abastecimento, Antônio Hélio Junqueira. Mas o acesso à alimentação está regredindo ano a ano, conforme outro estudo divulgado pelo IEA. A pesquisa analisa a formação de preços e sua tendência de evolução de 1976 a 1993. Os preços dos produtos In natura", por exemplo, registraram crescimento real de 2,52% ao ano, já os administrados subiram 3,63% no mesmo período e os industrializados, 1,86%. Enquanto isso, o salário-mínimo teve acréscimo de apenas 0,66% ao ano, revela o estudo (GM).