O coordenador do movimento Viva Rio, antropólogo Rubem César Fernandes, condenou ontem a troca de acusações entre os órgãos responsáveis pelas investigações sobre o jogo-do-bicho e corrupção policial no Rio de Janeiro. Fernandes receia que o clima de insegurança inviabilize a apuração sobre o envolvimento do bicho com o tráfico de drogas e com o suposto sistema de corrupção. O Viva Rio é um movimento da sociedade civil articulado para tentar recuperar o nível de qualidade de vida da cidade do Rio de Janeiro. Foi inspirado na campanha Ação da Cidadania Contra a Miséria e Pela Vida, articulada pelo sociólogo Herbert de Souza, o Betinho. O Viva Rio criou o Fórum de Cidadãos para acompanhar as investigações sobre o jogo-do-bicho. A primeira reunião foi realizada ontem. Para Fernandes, as acusações estão retirando a credibilidade do governador Nilo Batista (PDT), do prefeito César Maia (PMDB) e do procurador de Justiça, Antônio Carlos Biscaia. "Estamos desarmando todos que seriam capazes de desvendar as grandes organizações criminosas e sua relação com a violência", disse. Segundo ele, a confusão se deve ao fato de a imprensa não distinguir os níveis de envolvimento das pessoas citadas na lista do bicho. Os integrantes do movimento pretendem promover encontros semanais com os responsáveis pela apuração do caso e vão organizar uma agenda de debates públicos sobre três temas: a renovação da Polícia Militar, as drogas e o estímulo a projetos de promoção das classes menos favorecidas (FSP) (O Dia) (O Globo).