Por falta de vontade política, o governo Itamar Franco ainda não fez
79497 nada para demarcar as terras dos povos indígenas do país. A afirmação foi feita ontem pelo bispo José Dias, presidente do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), ao lembrar o Dia do Índio. "Faltam 230 áreas para serem demarcadas, apesar de a Constituição de 1988 ter dado um limite de cinco anos, expirado no dia cinco de outubro do ano passado, para que isso ocorresse", disse o bispo. Dom José Dias lembrou que no ano passado, 43 índios foram assassinados, quase o dobro de 1992. Naquele mesmo ano, afirmou, 85 índios foram vítimas de tentativa de homicídio e mais de 600 foram ameaçados de morte. De acordo com o CIMI, dos US$39 milhões necessários para o trabalho de demarcação de terras neste ano, segundo cálculos da Fundação Nacional do Índio (FUNAI), o governo só vai liberar US$1,9 milhão. Para o CIMI, o retardamento do trabalho de demarcação de terras se deve aos lobbies que atuam no Congresso Nacional, que envolvem grupos militares, governos estaduais e municipais e grupos econômicos (JC).