A exoneração do tenente-coronel Valmir Brum não é o primeiro caso de afastamento de policiais que combateram a corrupção na cúpula da polícia do Rio de Janeiro no atual governo: anteriormente, o governador Nilo Batista (PDT), na época secretário de Polícia Civil, já havia afastado o então corregedor de polícia, Luiz Gonzaga Lima Costa, e o então diretor do Departamento Geral de Polícia da Baixada (DGPB), Hélio Tavares de Luz. Aos 68 anos, 40 dos quais passados na polícia, onde foi por duas vezes corregedor-geral, Luiz Gonzaga acredita que o ato de exoneração de Brum é mais uma prova do desespero do governador Nilo Batista. Luiz Gonzaga sempre foi considerado um dos policiais mais íntegros da história da instituição e até Nilo Batista não cansava de dizer ser ele patrimônio moral da polícia. Só caiu em desgraça quando começou a denunciar a corrupção na cúpula da polícia, concentrando seus ataques no delegado Élson Campello, na época o homem forte de Nilo. Outra "vítima" da própria probidade foi o delegado Hélio Luz, ex-diretor do DGPB. Luz se desentendeu com Nilo ao afirmar que não aceitaria mais integrar uma cúpula de polícia com corruptos. Ele chegou a expulsar de seu gabinente um policial que fora sondá-lo para saber se aceitaria US$15 mil dos contraventores do jogo-do-bicho. Luz acredita que a lista apreendida em Bangu seja autêntica. "Eu nunca vi bicheiro escrever nada à-toa", diz (O Globo).