Por ordem do governador do Rio de Janeiro, Nilo Batista (PDT), o comandante da Polícia Militar, coronel Carlos Magno Nazareth Cerqueira, demitiu ontem da chefia da Polícia Judiciária, o tenente-coronel Valmir Alves Brum, oficial que se empenhou na operação contra o jogo-do-bicho e um dos principais responsáveis pela prisão de policiais envolvidos nas chacinas da Candelária e de Vigário Geral. A demissão foi decidida numa reunião entre o ex-governador Leonel Brizola e a cúpula do PDT. Também será afastado o comandante do Batalhão de Operações Especiais, tenente-coronel Francisco Sérgio Rangel, que igualmente atuou contra os bicheiros. O tenente-coronel Marcos Antônio Paes, chefe do Serviço Secreto da PM, outro que participou ativamente da operação coordenada pelo Ministério Público, se licenciará dia 28 para fazer um curso e não deverá voltar ao posto. Os três policiais sempre foram elogiados pela cúpula da PM e pelo governo estadual, mas passaram a ser atacados quando se descobriu que na lista de propinas apreendidas nas fortalezas de Castor de Andrade estavam os nomes de políticos ligados ao PDT. Foram acusados de ter "plantado" o nome de Nilo Batista e dos parlamentares pedetistas. As demissões provocaram indignação entre os promotores que cuidam do caso, que mais uma vez asseguraram que a lista é verdadeira. O tenente-coronel Valmir Brum acusou a "máfia do bicho" de ter patrocinado sua queda, e disse que as apurações do escândalo do bicho "não vão dar em nada". "Minha saída já era prevista desde o dia 1o. de abril, quando a imprensa divulgou o nome do governador Nilo Batista como um dos receptores do dinheiro sujo do bicho", disse ele. Brum foi substituído pelo tenente- coronel Francisco de Paula Araújo. Quatro delegados cujos nomes aparecem na lista do bicho foram promovidos ontem pelo secretário de Polícia Civil, delegado Mário Covas: Luís Mariano, diretor da Polinter, comandará o Departamento de Polícia Especializada; Frederico Henning assumirá a subsecretaria; Paulo Souto, o Departamento de Polícia da Baixada Fluminense; e Hélio Vígio, a direção da Divisão Anti-Sequ"estro.. Entidades ligadas aos direitos humanos vão promover um ato público em favor do tenente-coronel Valmir Brum. O anúncio foi feito ontem pelo secretário-executivo do Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (CEAP), Ivanir dos Santos, que esteve no gabinente do Comandante Geral da PM, coronel Nazareth Cerqueira, juntamente com representantes de outras 20 organizações não-governamentais (ONGs), para conhecer os motivos da exoneração de Brum. "Estamos preocupados com a saída dele. Queremos saber como vão ficar as investigações da Candelária e Vigário Geral que ele estava investigando. Sentimos que a saída de Brum vai além de um ato administrativo. Pode ser o fim da política de direitos humanos, que ele ajudou a construir, participando ativamente da apuração desses fatos", afirmou Ivanir dos Santos. O chefe do Estado-Maior do Exército (EME), general Benedito Bezerra Leonel, informou ontem que os militares têm pronto um plano para intervir no Rio. Mas ressalvou que a intervenção só ocorrerá se houver determinação do presidente da República. "O Exército sempre trabalha com hipóteses", afirmou. Ele admite que os militares vêm acompanhando a evolução do crime organizado no Rio de Janeiro há bastante tempo. Também o ministro do Exército, general Zenildo Lucena, manifestou-se, "como cidadão", preocupado com a situação do Rio, mas não acredita em intervenção porque a solução para a crise partirá do próprio governo estadual (O Globo) (JB) (O Dia).