O presidente Itamar Franco enviou, há cerca de três semanas, uma carta aos outros três presidentes do MERCOSUL (da Argentina, do Paraguai e do Uruguai), onde diz, pela primeira vez de forma oficial e inequívoca, que o Brasil aceita negociar uma adesão ao NAFTA. Os termos da carta, segundo fontes do Itamaraty, falam que o Brasil está aberto a entrar em entendimentos com "os parceiros do NAFTA". Sugere, contudo, que o mecanismo de negociação não deve ser de cada país, isoladamente, e sim do MERCOSUL como um todo. A iniciativa brasileira se insere num xadrez diplomático com vários lances simultâneos. As duas prioridades brasileiras na área de comércio latino-americano são consolidar o MERCOSUL e fazer decolar a recente proposta da criação de uma zona mais ampla de livre comércio, algo que está na fase de sondagens e que deverá formalizar-se possivelmente no final deste semestre. O principal parceiro do MERCOSUL, a Argentina, por sua vez, tem dado claras indicações de que gostaria de aderir ao NAFTA, ainda que não tenha sugerido, até agora, um desejo de abandonar o MERCOSUL. O Brasil, oficialmente, vinha mantendo uma atitude no mínimo reticente em relação ao NAFTA. A carta de Itamar dissipa qualquer dúvida que pudesse haver de que o Brasil se interessa em, eventualmente, ingressar no NAFTA. Ao mesmo tempo, contudo, deixa claro que só aceita negociar o ingresso no NAFTA de forma coletiva, através do MERCOSUL. O formato que o Brasil sugere para negociação com o NAFTA é ou algo semelhante ao utilizado na negociação da Iniciativa Bush" com os EUA, o chamado "quatro mais um" (os quatro países do MERCOSUL mais os norte- americanos), ou um formato de "quatro mais três", onde no outro lado da mesa estariam os três parceiros do NAFTA (incluindo o México e o Canadá). Na carta, o presidente do Brasil reafirma a prioridade e a importância do MERCOSUL e explica que a iniciativa brasileira de criar uma zona latino- americana de livre comércio (conhecida, provisoriamente, como Alcsa) não é incompatível com o MERCOSUL. Menciona, também, sua satisfação com os bons resultados da reunião recente em Buenos Aires dos países do MERCOSUL para discutir a proposta da Alcsa. A verdade é que quando o Brasil lançou a idéia da Alcsa, há alguns meses, deixou dúvidas. Sabe-se, por exemplo, que os uruguaios estão preocupados com a possibilidade de que os argentinos usem o pretexto do interesse do Brasil numa ampla zona de livre comércio como uma desculpa para deixar o MERCOSUL ou engajar-se unilateralmente no NAFTA (GM).