O setor elétrico será o principal beneficiado no mercado acionário do Plano Brady concluído pelo Brasil na semana passada, avalia a corretora W. I. Carr, do grupo Banque Indosuez. Conforme sua analista Luciana Portolano, a ELETROBRÁS e a LIGHT são as ações do setor que se beneficiarão mais. O relatório da corretora, divulgado ontem em Nova Iorque (EUA), considera o acordo com os bancos credores bom para o Brasil e particularmente positivo para o setor elétrico porque a dívida externa de suas estatais foi reestruturada. A analista calcula que a negociação significa uma redução imediata no principal de cerca de 13%. A ELETROBRÁS se beneficiará mais porque concentra dois terços da dívida do setor renegociada no Plano Brady (US$3 bilhões). A LIGHT saiu ganhando porque teve 74% de sua dívida bancária incluída no acordo e conseguiu uma redução efetiva de 10%. A analista da W. I. Carr conclui que, com o Plano Brady, "o país pode agora concentrar-se no esforço interno, para assegurar a estabilidade política e econômica". O governo calcula em US$9 bilhões o desconto obtido sobre a dívida externa, a partir do acordo fechado no último dia 15. O valor é menor que o estimado no início das negociações com os credores. O cálculo consta de um documento elaborado pelo Banco Central. A estimativaé que o valor original da dívida renegociada, de US$35 bilhões, caia em 25,7% nos próximos 30 anos (GM) (FSP).