PROMOTORIA REAGE À PRESSÃO DA POLÍCIA MILITAR

O promotor-chefe das investigações sobre o jogo-do-bicho do Rio de Janeiro, Antônio José Moreira Costa, protestou ontem contra as pressões que o secretário de Polícia Militar, coronel Carlos Magno Nazareth Cerqueira, está fazendo contra a tropa que "estorou" as fortalezas do banqueiro Castor de Andrade. Eles são a reserva moral da corporação, disse o promotor, em defesa dos oficiais e soldados do Serviço Secreto da PM (P-2). O promotor confirmou que, no último dia 15, oficiais da P-2 lhe relataram que não estão recebendo carros para as investigações e que foram ameaçados de responder a inquéritos policiais militares (IPMs), por Cerqueira diz suspeitar que os soldados "plantaram" nas listas de propinas os nomes do governador Nilo Batista (PDT) e de políticos do PDT. Moreira Costa refuta a acusação e atesta que as listas de propinas são provas documentais legítimas, que serão usadas para fazer as denúncias contra os acusados. O promotor já informou oficialmente o procurador-geral de Justiça, Antônio Carlos Biscaia, sobre as pressões, para que este estude o problema. O coronel Cerqueira exonera hoje o tenente-coronel Valmir Alves Brum do cargo de comandante da Chefia da PM. Ao anunciar ontem o afastamento do subordinado, Cerqueira disse que Brum é uma "vedete que, para obter fama, é capaz de denegrir a imagem de colegas sérios". O motivo da exoneração, segundo o secretário, é o fato de Brum ter vazado informações que poderiam comprometer as investigações sobre o esquema de propina montado pela cúpula da contravenção. "Não perderei mais tempo. O traidor deixará o cargo assim que eu chegar ao Quartel Central da PM", prometeu Cerqueira (O Globo) (JB).