A difícil e arrastada etapa de formação de alianças eleitorais, que deve ser interrompida em maio e retomada após o primeiro turno eleitoral de três de outubro, está encobrindo uma novidade para os eleitores: praticamente todos os candidatos chegarão às convenções em maio com planos de governo dentro da pasta e, talvez até, na ponta da língua. Em comum, propõem o crescimento econômico e o combate à miséria. Há, no entanto, situações pouco claras: o PT, por exemplo, tem plano de governo mas seu candidato, Luiz Inácio Lula da Silva, ainda não tem. Forte resistência a alguns aspectos do plano impuseram uma adequação do que diz a maioria do partido ao que convém que o candidato proponha ao país. O PSDB tem um programa partidário elaborado em julho de 1993, mas o plano de governo do candidato Fernando Henrique Cardoso deverá ser o resultado das negociações já iniciadas sobre o assunto com o PFL, seu principal parceiro eleitoral. O PDT redigiu um programa em seu 3o. Congresso Nacional, que tem três anos, e nesta semana deve concluir sua revisão. O texto vai virar cartilha para os candidatos nos estados e para a militância. Deve servir também para orientar em alguma medida o discurso do seu candidato, o ex-governador Leonel Brizola. No PMDB, dois dos candidatos às prévias de 15 de maio, o senador José Sarney (AP) e o ex-governador Orestes Quércia, têm planos de governo e alguns programas esboçados (O Globo).