Mais de 80% dos 1.400 delegados reunidos no 7o. Congresso Estadual da Central Única dos Trabalhadores (CUT/São Paulo) recusaram as propostas de apoio formal à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Presidência da República. Votaram pelo apoio as correntes trotskistas "O Trabalho" e "Convergência Socialista". Ficaram contra a "Articulação Sindical", a "Corrente Sindical Classista" (PC do B) e "CUT pela Base". A decisão não impede que os sindicalistas da CUT façam campanha para o PT e organizem comitês de fábrica para arrecadar fundos para Lula, segundo José Lopes Feijóo, da "Articulação Sindical", presidente da CUT/São Paulo reeleito ontem. O texto aprovado é vago sobre um apoio futuro e prevê que "a estrutura dos sindicatos deve ser colocada ao serviço" da "discussão com os trabalhadores sobre os compromissos que o governo deve assumir frente à população". O assunto será discutido novamente no Congresso Nacional da CUT, em maio. Os cerca de 1.200 delegados presentes ao encontro deliberaram pela transformação gradual dos sindicatos filiados em sindicatos orgânicos, ou seja, subordinados às decisões da CUT e não mais com políticas totalmente independentes, formuladas em cada categoria. Na prática, isso aponta para a criação de mais de um sindicato por base territorial e para o fim das disputas via eleições sindicais. A CUT quer liberdade para criar sindicatos onde bem entender, mesmo em territórios hoje dominados pelas centrais rivais. O trabalhador escolheria a qual central filiar-se. Para que isso ocorra, porém, é necessário mudar a Constituição Federal, que ainda garante a unicidade. A idéia dos dirigentes é pressionar o Congresso Nacional para que isso ocorra por meio de emenda constitucional (FSP) (O ESP).