BICHO INVESTE US$2 MILHÕES EM ELEIÇÕES

O esquema do jogo-do-bicho no Rio de Janeiro investiu uma média de US$2 milhões em cada uma das eleições: para o governo do estado (86), presidente da República (89), governo do estado (90) e prefeitura (92). Essa pelo menos foi a quantia revelada pelos próprios bicheiros, durante as reuniões reservadas que mantinham com os tesoureiros das grandes campanhas. Em troca, os contraventores têm a garantia de levar vantagem com os eleitos. Os US$2 milhões-- repassados pelos 11 maios bicheiros do estado-- incluem os gastos com um batalhão de 25 mil pessoas. Nas eleições, os empregados fixos do jogo exercem os papéis de cabos-eleitorais, agentes de segurança e fiscais de boca-de-urna. O apoio nas eleições rende bons resultados para os contraventores. Eles obtêm proteção para agir livremente, além de outras vantagens, como nomeação de funcionários importantes e doações de terrenos. O ex-governador Moreira Franco (87-91), por exemplo, contou com a ajuda de parte dos contraventores na campanha de 1986, segundo Aniz Abraão David, o Anísio. Quando passou a exercer seu mandato, Moreira não poderia negar os pedidos dos bicheiros. O então governador doou um terreno do estado, com 47 mil metros quadrados, para a Liga das Escolas de Samba, que era dirigida por Aylton Guimarães Jorge, o bicheiro "Capitão Guimarães". O atual prefeito César Maia (PMDB), citado na lista do bicho, teria recompensado Castor de Andrade de outra forma: com a nomeação de um funcionário estratégico na assessoria do seu gabinete (FSP).