Em novembro do ano passado, 250 índios guaranis de Bracuí, em Angra dos Reis (RJ), pegaram enxadas e picaretas e se prepararam para a guerra. Eles fizeram à força a demarcação da reserva, acirando os ânimos de fazendeiros e posseiros da região. No dia 30 de março deste ano, uma portaria do então ministro da Justiça, Maurício Corrêa, devolveu a calma à aldeira. A portaria, publicada no "Diário Oficial" da União do último dia cinco, delimita uma área de 2.105 hectares e determina que a Fundação Nacional do Índio (FUNAI) faça a demarcação da terra. Os guaranis de Bracuí integram a última nação indígena do Estado do Rio de Janeiro, e convivem com vários problemas. A maior parte da reserva fica na encosta, exigindo dos guaranis técnicas especiais de cultivo. Acostumados à caça e à pesca, eles tentam se adaptar aos novos tempos. Com a ajuda da prefeitura de Angra, eles construíram sete tanques na reserva e povoaram dois deles com carpas e tilápias. A desnutrição também atinge a nação. "Em algumas faixas etárias, a desnutrição chega a 70%", afirma a antropóloga Cibele Verani, do Núcleo de Estudos em Saúde de Populações Indígenas (Nespi), órgão da Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ). Na semana passada, quatro crianças estavam internadas num hospital de Angra com pneumonia, doença que já matou quatro pessoas na aldeia (O Globo).