O governo anunciou ontem a conclusão do acordo da dívida externa. O anúncio coube ao diplomata Sérgio Amaral, chefe de gabinete do ministro da Fazenda, Rubens Ricúpero. O acordo, que envolve US$52 bilhões, foi assinado em Nova Iorque (EUA) pelo presidente do Banco Central, Pedro Malan, e o presidente do Comitê Assessor dos Bancos Credores, William Rhodes (também vice-presidente do Citibank, maior credor privado do país). Com o acordo, o país reduzirá a dívida em quase 20% e estenderá os pagamentos por 30 anos. Falando em nome da equipe econômica, Amaral disse que o acordo encerra um período de instabilidade nas relações externas do país, e favorecerá o equilíbrio das contas públicas. Apesar do desfecho favorável, o dia foi tenso para a equipe de renegociação da dívida. Em Nova Iorque, advogados dos credores exigiram uma série de documentos que tiveram de ser assinados de última hora. As cotações dos títulos da dívida voltaram a cair ontem no mercado financeiro com a falta de notícias positivas. Até o último momento havia a expectativa de que o empresário Kenneth Dart bloqueasse o acordo na Justiça. Dart detém 4% (US$1,4 bilhão) da dívida do Brasil com os bancos privados e não concordava com a renegociação, que prevê a troca de papéis da dívida antiga por novos títulos. Para fechar o acordo, o Brasil teve que dar US$2,5 bilhões de suas reservas como garantia aos credores. O dinheiro está depositado na forma de títulos do Tesouro dos EUA no BIS (Banco de Compensações Internacionais), na Suíça (com outros US$300 milhões dos credores). O país precisou usar as reservas porque não conseguiu o aval do FMI (Fundo Monetário Internacional) no mês passado para o acordo. O Fundo tinha dúvidas sobre o plano de estabilização brasileiro. Os novos títulos da dívida são: 1) Bônus de Desconto-- Abatem 35% do valor do débito, têm prazo de 30 anos e juros de mercado. Representam 35% das opções dos credores. 2) Bônus ao Par-- Prazo de 30 anos e juros tabelados de forma a reduzir o débito ao longo desse período. Representam 33,16% das opções de troca. 3) Bônus de Capitalização-- Prazo de 20 anos, 10 de carência, juros tabelados e pagamentos semestrais. São 20,56% das opções. 4) Bônus de Dinheiro Novo-- Papéis que permitem novos empréstimos ao país, no valor de US$300 milhões. Prazo de 15 anos, carência de sete, pagamentos semestrais e juros de mercado. São 5,77% das opções. 5) Flibrs-- São bônus de redução temporária de juros. Têm prazo de 15 anos, carência de nove, juros tabelados até o sexto ano e pagamentos semestrais. Escolhidos como 5,51% dos novos papéis (FSP) (O ESP).