Falando ontem à noite no Fórum de Ciência e Cultura da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em ato público de solidariedade promovido pelo Movimento pela Ética na Política, o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, disse que, apesar dos pesares, seu envolvimento na doação de dinheiro do jogo-do-bicho para a campanha contra a AIDS teve um lado positivo. Queriam me beatificar em vida, como se eu fosse um santo. Sou apenas um
79431 cidadão que procura fazer o bem, passível de erros como qualquer pessoa.
79431 Errei como qualquer um erra. Já estavam me transformando em unanimidade
79431 nacional, mas, como bem disse Nélson Rodrigues, toda unanimidade é
79431 burra, desabafou o sociólogo, que disse ter ficado abatido com a citação de seu nome no noticiário do escândalo do bicho. "A depressão me mata e por isso resolvi sair dela. Recobrei o ânimo para voltar à luta contra a fome, a miséria e o desemprego", afirmou. Betinho disse ainda que todo mundo sabia que o bicho ajudava no carnaval, no futebol e a entidades filantrópicas. "Essa cobrança que fazem agora é uma hipocrisia. Ninguém se recorda mais de que o presidente Itamar Franco, quando esteve no Sambódromo, foi acolhido no camarote dos bicheiros". Betinho divulgou nota ontem à noite, na qual afirma que não vai mais comentar a doação de bicheiros à ABIA. "Tenho outra prioridade na vida, que é lutar contra a fome, a miséria e pelo emprego", diz a nota. O corregedor da Câmara dos Deputados, Fernando Lyra (PSB-PE), se encontrou ontem à tarde com Betinho. Lyra disse que foi levar "um abraço de solidariedade". O deputado afirmou que não iria julgar Betinho por ele ter recebido dinheiro dos bicheiros para a AIDS. O corregedor disse que os documentos da Procuradoria Geral de Justiça do Rio de Janeiro apresentados até agora ainda são insuficientes para incriminar os deputados citados na lista do jogo-do-bicho (O Dia) (FSP).