GOVERNADOR DIZ TER TESTEMUNHAS DA REUNIÃO COM ABIA

O governador do Rio de Janeiro, Nilo Batista (PDT), disse ontem que pelo menos dois outros participantes do encontro com Terezinha Petrus Kalil, mulher do bicheiro "Turcão", podem confirmar que a doação à Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS (ABIA) foi feita em meados de 1990. Ele citou o nome de apenas uma dessas testemunhas, um ex-tesoureiro da instituição, César Behs. Antigo militante do PDT, Behs, advogado, saiu da ABIA no fim do ano passado e se desligou também do PDT. Segundo Nilo, outro representante da ABIA presente ao encontro com Terezinha em sua casa, também confirma que ele ocorreu em junho ou julho de 1990. De acordo com o governador, o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, não esteve na reunião, mas também assegura que ela aconteceu antes de janeiro de 1991: "Quando falei para o Betinho que foi em julho, ele concordou". A mulher de "Turcão" sustenta, porém, que o encontro no qual doou Cr$10 milhões (o equivalente a US$46 mil) à entidade ocorreu em janeiro de 1991. Nervoso por estar, mais uma vez, falando do suposto envolvimento com o banqueiro do jogo-do-bicho Castor de Andrade, o governador disse que esperava estar se dirigindo pela última vez à imprensa do país pedindo
79430 o clamor da justiça e alegou, em sua defesa, que seu único contato com a mulher do bicheiro foi um "trabalho de benemerência social", no caso a intermediação de dinheiro para os aidéticos. "Não há crime nisso, nem ilícito penal", disse. Cerca de mil pessoas participaram, ontem à noite, do "abraço" ao Palácio Guanabara, em solidariedade ao governador Nilo Batista. A manifestação foi liderada pelo ex-governador Leonel Brizola, que convocou as pessoas a dar uma volta pelo palácio de mãos dadas, em ato simbólico de apoio ao chefe do Executivo estadual. Segundo Brizola, "todos estão conscientes da dignidade e da honradez do governador Nilo Batista, uma trajetória que não pode ser julgada por um acontecimento". Nilo lamentou que ainda se esteja dando credibilidade a uma folha de papel sem qualquer assinatura, trocada, forjada e que não indica crime algum, porque contribuição para campanha eleitoral não é crime. A doação feita por Antônio Petros Kalil, o "Turcão", à ABIA consta da declaração de renda que o bicheiro entregou à Receita Federal em 1992 sobre o ano fiscal de 1991. A informação é de Fernando César Martins, advogado de "Turcão", que esteve com o bicheiro ontem no Instituto Penal Vieira Ferreira Neto, em Niterói (RJ). Fernando contou ainda que "Turcão" foi categórico ao afirmar que a sua doação à entidade não está registrada nem na contabilidade de Castor de Andrade nem nos livros-caixa da cúpula do bicho: "Ele garantiu que não fez um rateio entre os banqueiros. A doação foi particular", contou o advogado. Ainda segundo o advogado, "Turcão" reafirmou que a doação foi de Cr$10 milhões, feita em janeiro de 1991, em cheque (O Dia) (JC) (O Globo).