TROCA DE TÍTULOS LIMPA O PASSIVO DO BANCO CENTRAL

A emissão de novos bônus da dívida externa efetuada ontem, em substituição a US$49 bilhões de dívida velha de médio e longo prazos do setor público põe fim a 12 anos de pendências com os bancos credores privados internacionais que se arrastavam, desde 1982, com a crise do endividamento. A operação de troca da dívida externa, monitorada em Nova Iorque (EUA) pelo presidente do Banco Central, Pedro Malan, terá o efeito de "limpar" do passivo do BC cerca de US$27,5 bilhões de depósitos registrados em moeda estrangeira que representavam amortizações refinanciadas em acordos anteriores. Ao mesmo tempo em que o BC deu baixa naquele passivo, transferindo os cruzeiros reais ao Tesouro Nacional, este utilizou-se dos mesmos cruzeiros reais para resgatar US$24,6 bilhões de NTNs (Notas do Tesouro Nacional) da série L que estavam na carteira do BC, lastreando aqueles depósitos da dívida externa. Isso representa cerca de 35% do total de papéis, carteira do BC. A diferença de US$2,8 bilhões representa recursos que o Tesouro teve de gastar para pagar ao BC pela aquisição dos "zero-coupon bond" do Tesouro norte-americano. Os bônus norte-americanos vão servir de garantia ao principal dos bônus ao par (US$10,5 bilhões) e dos bônus de desconto (cujo total foi estimado em US$7,31 bilhões já descontando o deságio de 35% que recai no ato da troca da dívida velha pelo novo papel). O país acabou comprando as garantias no mercado secundário internacional, a partir do final do ano passado, como medida de prevenção contra a eventualidade de não conseguir firmar a tempo um acordo de ajuste com o Fundo Monetário Internacional (FMI), o que acabou acontecendo (GM).