CARNE HUMANA MATA FOME DE MENDIGOS EM LIXO DE HOSPITAL

O desespero causado pela miséria está levando favelados a um recurso extremo para atenuar a fome: comer carne humana. A carne, recolhida no lixo hospitalar, está servindo de comida para os catadores do aterro de lixo de Olinda, em Pernambuco. A denúncia foi feita por missionários da Igreja Episcopal e confirmada por técnicos da Secretaria Municipal de Saúde de Olinda. Os catadores garantem que o lixo hospitalar é depositado a céu aberto e que costumam encontrar vísceras, fetos, seios e até pernas e braços. Na maioria das vezes, essas partes do corpo humano são enterradas pelos próprios catadores. No entanto, alguns, desesperados, comem sem qualquer constrangimento. Solange Valuiz da Silva, de 65 anos, que mora há oito anos no "Lixão de Peixinhos", como é conhecido o aterro de cinco hectares onde a prefeitura de Olinda deposita 300 toneladas diárias de lixo, diz que, além de pedaços de carne humana, muitos catadores se alimentam de restos de comida estragada e animais mortos. Segundo ela, nesses casos há até disputa. "A fome obriga a gente a comer tudo o que não presta. Qualquer coisa serve", diz ela. O secretário de Ação Social de Olinda, Roberto Arrais, anunciou que pretende ampliar os trabalhos assistenciais na área. Ele estuda a possibilidade de a prefeitura passar a fornecer uma refeição diária às famílias que vivem do lixo e a estimular a criação de uma cooperativa dos catadores, a fim de humanizar este tipo de trabalho (O Globo).