Chorando e dizendo que sua família vem sendo crucificada, Thereza Petrus Kalil, mulher do "banqueiro" do jogo-do-bicho Antônio Petrus Kalil, o Turcão, tentou ajudar o governador do Rio de Janeiro, Nilo Batista (PDT), ontem, na entrevista que convocou na sede da "Associação Filantrópica-esportiva Thereza e Antônio Kalil", em Niterói (RJ). No final, a situação do governador acabou complicando-se ainda mais. Segundo garantiu, a doação para a Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS (ABIA) foi feita em janeiro de 1991, com um cheque de Cr$10 milhões (equivalente na época a US$46 mil) da conta pessoal de seu marido. Nas suas explicações, a única participação do, já na época, vice- governador eleito Nilo Batista foi ceder a sua casa para o encontro. "A contribuição foi particular e nada tem a ver com o livro-caixa de Castor de Andrade", reforçou o advogado da família Petrus Kalil, Fernando César Martins. Segundo Thereza, na reunião teriam estado o então presidente da ABIA, Herbert de Souza (Betinho), e o vice Herbert Daniel (morto há dois anos). No livro de contabilidade da cúpula do jogo-do-bicho a doação ao governador Nilo Batista foi feita em agosto de 1990 no valor de US$58 mil. Para o advogado, a diferença de data e de valor na doação precisa ser melhor explicada. "Cabe ao Ministério Público investigar isso, quer pelos disquetes, quer interrogando o contador. O que eu posso afirmar é que a doação da família Petrus foi particular e obviamente não pode estar em uma contabilidade feita cinco meses antes", disse Martins. A mulher de "Turcão" disse ter intercedido em favor da ABIA junto ao marido, em janeiro de 1991, tão logo soube das dificuldades financeiras da entidade, não relatando como soube dos problemas. Ela emitiu nota em que fala de sua vida. Na nota, ela se diz "pessoa inatacável, de formação moral, religiosa e cultural inquestionável". A nota aborda o caso ABIA. É lamentável que uma doação à instituição de aidéticos, rejeitada na
79406 época por empresários e poder público e atendida por mim e meu marido,
79406 seja hoje motivo de comentários maldosos e inescrupulosos à minha
79406 pessoa, diz a nota (O Dia) (O ESP) (FSP) (JB) (O Globo).