O presidente do Banco Central, Pedro Malan, troca hoje, em Nova Iorque (EUA), US$52 bilhões da dívida externa brasileira com os bancos estrangeiros por seis novos papéis: bônus de desconto, ao par, de capitalização, de dinheiro novo, de conversão e "flirb". Malan concluirá as negociações iniciadas há dois anos para a reestruturação dos débitos brasileiros com os bancos credores. Ao todo foram 11 anos de negociações sucessivas, que compreenderam quatro reestruturações fracassadas do perfil da dívida e três moratórias. Segundo o chefe do Departamento de Dívida Externa do BC, Linaldo Aguiar, entre os grandes credores do Brasil apenas a família Dart não participará da troca dos títulos. Detentora de 5% da dívida brasileira, a família não aceitou os termos da reestruturação negociada com o Comitê Assessor de Bancos Credores. O registro de sete documentos que trazem a lista dos 750 bancos credores encerrará um ciclo de 250 reuniões de 20 técnicos do governo com representantes dos bancos credores. No encontro, Malan apresentará o comprovante de depósito de US$2,8 bilhões em garantias iniciais do principal e dos juros da dívida renegociada, o pagamento do débito do setor público brasileiro tomado antes de 1983 será alongado por até 30 anos com uma redução de 20%. A troca de títulos também é mais um passo para o fim da caixa-preta das contas do Tesouro Nacional e do Banco Central e para a redução dos juros pagos pelo governo. Atualmente, a dívida com os bancos credores estrangeiros está dividida em US$35 bilhões de dívida contraída antes de 1993, mais US$3,8 bilhões dos financiamentos recebidos em 1988, outros US$6,2 bilhões com bancos brasileiros com agências no exterior e US$7 bilhões em juros atrasados. O BC informou que, em princípio, os bancos credores vão converter US$210 milhões da dívida renegociada em investimentos diretos no Brasil. Esses investimentos, de acordo com o BC, vão ter impacto monetário muito reduzido, embora a conversão dos títulos em cruzeiros reais vá se dar sem desconto e de uma vez só. É que os beneficiários dos investimentos usarão os cruzeiros reais apenas para comprar Notas do Tesouro Nacional (NTNs) da série M, que ficarão congeladas nas carteiras das empresas por, no mínimo, 12 anos, gerando unicamente pagamento de juros e resgates parciais do principal. As cotações dos dois principais títulos da dívida externa do Brasil fecharam em baixa ontem no mercado de Nova Iorque. A queda acompanhou uma baixa geral no mercado de títulos norte-americanos. Os IDU bonds (de juros vencidos da dívida) caíram de 76 centavos por dólar no dia 13 para 73 centavos por dólar ontem. Os C Bonds (papéis do acordo que o Brasil deve fechar com os bancos credores internacionais hoje) caíram de 49 centavos por dólar para 47 centavos (JC) (FSP) (JB).