CORREGEDOR DIZ QUE OS DOCUMENTOS DO BICHO "NÃO PROVAM NADA"

O corregedor da Câmara dos Deputados, Fernando Lyra (PSB-PE), disse ontem que os documentos que ligariam parlamentares ao jogo-do-bicho "não servem como provas para nada". Ele disse que não pode confiar apenas nos dados de anotações dos documentos apreendidos pela Procuradoria Geral de Justiça do Rio de Janeiro como suficientes para processar e cassar deputados. "Não sei a credibilidade desse material", afirmou. "Eles (a Procuradoria) que denunciaram, que provem a participação dos deputados que a gente cassa", afirmou. "O ônus da prova cabe ao denunciante". Lyra afirmou que o material que a Câmara recebeu é contraditório. Um é cópia do livro- caixa do "banqueiro" Castor de Andrade entre 1987 e 1994. Outro é composto por folhas datilografadas sem nenhum controle. O corregedor disse, ainda, que, num levantamento inicial, a contabilidade das listas não confere. Segundo ele, em muitos casos só há menções a deputados que não podem configurar denúncia. O procurador-geral da Justiça do Rio de Janeiro, Antônio Carlos Biscaia, disse ontem que não submeterá os documentos dos "banqueiros" do bicho a uma perícia agora. Ele afirmou que a lista do bicho será examinada em juízo. Segundo as informações, o único documento que aparenta autenticidade não confirma denúncia de que o governador do Rio de Janeiro, Nilo Batista (PDT), e o prefeito do Rio, César Maia (PMDB), receberam dinheiro do bicho. O procurador Biscaia se diz convencido da autenticidade da lista do jogo-do-bicho. Ele estaria desconfiado de corrupção no instituto de criminalística, encarregado de perícias até a abertura do processo. O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro pediu a quebra de sigilo bancário e requisitou à Receita Federal cópias das 10 últimas declarações de renda do bicheiro Castor de Andrade e dos quatro juízes envolvidos no escândalo do bicho: Renato Simoni, César Leite, Liborni Siqueira e Franklin Belford. Os três últimos se reuniram ontem com o presidente do TJ, desembargador Antônio Carlos Amorim, e têm prazo até o próximo dia 18 para apresentar defesa junto ao Órgão Especial do Tribunal (FSP) (JB).