Curvando-se à vontade da maioria, a Venezuela decidiu retirar a sua oposição à diminuição da participação acionária da América Latina no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), e a assembléia de governadores pôde concluir-se, ontem, em Guadalajara (México), com um discurso do presidente Enrique Iglesias de congratulação pelos "caminhos que se abrem para a instituição". Segundo ele, com seu capital aumentado de US$60 bilhões para US$100 bilhões, o BID estará materialmente preparado para responder aos desafios deste fim de século na América Latina: crescimento econômico com iquIdade social. Num balanço dos mandatos recebidos da assembléia, Iglesias disse também que haverá agora um sistema de co-gestão no banco, cujos administradores atuarão com "flexibilidade, eficiência, diálogo, transparência e condicionalidade sensatas". Pouco antes de ser instalada a sessão de encerramento, o representante do Brasil no BID, Antonio Claudio Sochaszevsky, conseguiu descobrir uma falha no texto do encontro, exatamente no item que estabelece a milimétrica, mas concreta, vantagem da América Latina na distribuição do poder de voto no banco. Pelos entendimentos prévios, os países da América Latina e do Caribe, em seu conjunto, atingirão 50,05% dos votos. No texto, aparecia escrito 50%. O detalhe garante aos países da região a vitória em alguma votação, hipotética, em que os que se servem do BID para obter financiamentos estejam globalmente discordando do conjunto de doadores de recursos (os EUA, o Canadá e mais 18 países de fora da região). Como estava previsto, a América Latina reduziu sua participação para 50,05%, os EUA de 34,6% para 30%, o Canadá permanecerá com 4% e os outros países ascenderão de 7,16% para 16% (o Japão cresce sozinho para 5% e ganha uma décima terceira cadeira na diretoria). Na redução proporcional, o Brasil baixa sua participação de 11,61% para 10,79%, o mesmo acontecendo com a Argentina. O Chile também reduz seu capital, mas ganhará uma outra cadeira, a décima quarta. As decisões não entrarão em vigor imediatamente. O acordo de Guadalajara é, oficialmente, apenas um rascunho de deliberação final que será submetida à diretoria do BID dentro de 60 dias. Depois de revisto e aprovado pela diretoria do BID, será a vez de o acordo ser ratificado pelos congressos de cada país. A oitava reestruturação de capital do BID- - a maior da instituição-- necessita da ratificação parlamentar de países que somem 66% das ações, o mesmo quórum exigido para as deliberações da diretoria (GM).