LISTA DE CASTOR INCRIMINA OUTROS "BANQUEIROS" DO JOGO-DO-BICHO

Documentos apreendidos nas fortalezas do bicheiro Castor de Andrade, no Rio de Janeiro, comprovam que o esquema de corrupção envolvendo policiais, políticos e jornalistas não era uma ação unilateral de Castor. Ao contrário: incriminam os demais "banqueiros" da contravenção, como Luizinho Drumond, Carlinhos Maracanã e Emil Pinheiro. Os livros de contabilidade registram contribuições destes bicheiros e o mesmo valor, em seguida, indica um outro destino para o dinheiro, beneficiando especialmente policiais e políticos. O Ministério Público Federal pretende pedir o sequ"estro dos recursos de Castor de Andrade depositados na Suíça e a quebra do sigilo bancário da casa de câmbio Piano Internacional, do Rio, responsável pela remessa ao exterior de US$497 mil do contraventor. Além disso, já se sabe que peritos da Polícia Federal falsificaram laudos das máquinas de videopôquer, atestando serem nacionais, a fim de descaracterizar o crime de contrabando. A polícia estorou ontem a central de apuração e descarga do bicheiro José Petrus Kalil, o "Zinho", que funcionava no centro da cidade. Segundo as informações, o governador Nilo Batista (PDT) arrematou a ajuda de US$40 mil do bicho para a Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS (ABIA) em janeiro de 1991, três meses depois de proclamado vice- governador pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE). O dinheiro foi depositado numa agência do Citibank em Nova Iorque (EUA) e serviu para pagar dívidas da entidade. A Câmara dos Deputados recebeu ontem os nomes dos parlamentares relacionados na lista de Castor de Andrade, que inclui o senador Hydeckel de Freitas (PPR-RJ) e o deputado Sérgio Cury (PDT-RJ). O juiz de menores do Rio de Janeiro, Liborni Siqueira, teve seu nome ligado às listas do jogo-do-bicho. No livro-caixa da contravenção, o pagamento é citado como "doação para o orfanato de menores (dr. Liborni)", sem especificar o nome da instituição. O juiz, que dirige a Associação de Solidariedade à Criança Excepcional, admitiu que mantém ligações com vários orfanatos mas negou que tenha recebido dinheiro da contravenção. No memo livro-caixa é citado o nome Afif em outubro de 1989, possivelmente uma alusão a Guilherme Afif Domingos, então candidato à Presidência da República. Afif negou (O Dia) (JB) (O Globo).