O salário-mínimo é pago predominantemente a mulheres e jovens com idade entre 20 e 29 anos. Sessenta e três por cento dos quatro milhões de trabalhadores que ganham um mínimo não são chefes de família e 35% pertencem à classe média. Os dados constam de um estudo feito no ano passado pelos economistas Lauro Ramos, do IPEA (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas), e José Guilherme Reis, da PUC-RJ (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro), com dados de 1989. O estudo foi publicado no livro "Perspectivas da Economia para 1994", do IPEA. O estudo foi feito com base em dados da Pnad (Pesquisa Nacional de Amostras de Domicílios) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Foram incluídos os trabalhadores com registro em carteira e os servidores públicos. O objetivo do trabalho foi o de analisar os potenciais benefícios sociais do salário-mínimo. A maior parte das pessoas que recebem um mínimo, segundo o estudo, é constituída por trabalhadores dos seguintes setores: serviços (30,6%), comércio (17,8%), indústria leve (15,9%) e administração pública (13,7%). O mínimo é pago principalmente a pessoas que estudaram até a quarta série do primário (36,5%) e entre a quinta e oitava séries (34,9%). Segundo o estudo, 15% dos trabalhadores que recebem um mínimo têm instrução secundária. Os empregados de baixa renda são mais comuns nas regiões Sudeste, excluindo São Paulo, e Nordeste, áreas não-metropolitanas e nos segmentos de comércio e serviços, afirmam os autores. Os autores concluem que o impacto redistributivo do aumento do salário- mínimo é pequeno porque uma parcela significativa dos beneficiados pertence a famílias que não necessitam desse auxílio. Isto não significa que eles sejam contra o aumento do mínimo. "Seu efeito é limitado, particularmente quando se leva em conta seu impacto sobre o emprego, de forma que outras políticas redistributivas devem, necessariamente, ser contempladas", afirmam. Segundo eles, "não são apenas as famílias pobres as mais atingidas, e nem mesmo constituem elas a grande maioria das que se beneficiam de aumento do salário-mínimo" (FSP).