O governo ampliou ontem o percentual de desconto que os bancos estrangeiros poderão ter dos títulos da dívida externa brasileira na compra de ações de empresas estatais privatizadas. O desconto padrão de 25% sobre o valor de face dos títulos da dívida foi substituído por deságios de 25% ou 35%, conforme o papel. Somente os bônus e outros contratos ao abrigo do acordo que entra em vigor no próximo dia 15 representam um universo de US$52 bilhões. Segundo fontes do Banco Central, os credores só usaram US$90 milhões de seus créditos em leilões de privatização. Os bancos têm alegado que o deságio sobre o valor dos títulos é muito alto. A resolução do BC estabelece que, dos novos bônus a serem emitidos no dia 15, o Bônus ao Par será convertido com deságio de 35%. Esse deságio cairá aos poucos, chegando a zero em 30 anos. Os valores da dívida externa convertidos em privatização não poderão ser repatriados num prazo de seis anos. Lucros e dividendos relativos a esses investimentos poderão ser remetidos livremente. As empresas brasileiras que comparem papéis da dívida não poderão convertê-los no programa de privatização (O ESP).